segunda-feira, 26 de maio de 2008

Sobre o Trabalho de Lídia Cabral


O trabalho de Lídia Cabral visa à valorização daquilo que nem sempre é visto ou que, mesmo quando é olhado, às vezes deixa de ser apreciado. A artista tira fotografias de paisagens, que, reveladas em tamanho pequeno, são inseridas dentro de envelopes e distribuídas. A idéia principal é trazer um descanso à mente em meio a tanta agitação do nosso cotidiano. Trata-se da valorização de coisas simples, mas de grande valor em meio a uma sociedade que supervaloriza a velocidade, a funcionalidade e a produção. A fotografia de uma paisagem calma e bela seria como um ponto de fuga para os nossos pensamentos, como um porto seguro, um pedacinho de paz e sossego que possa nos transportar para um lugar melhor, para um estado de ânimo melhor. Não é uma obra para ser exposta ou guardada, mas para ser carregada e vista sempre.
Susan Sontag afirma que “fotografar é atribuir importância”, o que fica bastante explícito na obra de Lídia Cabral. A artista apropria-se de uma paisagem que poderia passar despercebida se, por exemplo, passássemos ao seu lado dirigindo ou com pressa. Entretanto, a partir do momento em que essa cena é transposta para uma fotografia e distribuída, ela adquire uma nova dimensão de importância; torna-se foco, emerge sob a luz fulgurante da arte. Desse modo, a artista resgata, através da arte, a capacidade de apreciação que foi perdida na vida.

Por Débora Pazetto Ferreira
deborapazetto@gmail.com





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